ago 30 2021

Produção de leite da Fazenda Colorado bate novos recordes


Maior produtora de leite do Brasil, a Fazenda Colorado, dona do Laticínio Xandô, bateu o próprio recorde em agosto, mesmo num ano atípico para o segmento. Os animais em lactação, de um rebanho total de 5,4 mil vacas, novilhas e bezerras holandesas, chegaram a produzir 100 mil quilos por dia (97.076 litros) neste mês, mantendo a propriedade no topo do ranking brasileiro de fornecimento da matéria-prima.

“Somos oito vezes consecutivas os maiores produtores do país”, diz Carlos Alberto Pasetti de Souza - um dos filhos do fundador do negócio, Lair de Souza, já falecido. Elevar a produtividade em uma fazenda leiteira, mesmo líder, tem seus desafios. “Não fazemos nada sem pensar no bem-estar do rebanho”.

Essa é uma diretriz cumprida à risca, que exigiu investimentos em processos de manejo e benfeitorias estruturais para cumprir a meta traçada em 2020. Cada noite bem dormida de uma holandesa resulta em quilos (ou litros) a mais na pesagem da ordenhadeira. “Se elas estão felizes, nos gratificam com volume de produção”.

Em 2020, o empresário passou quase o tempo todo na fazenda, por causa da pandemia. Foi quando traçou a nova meta diária de produção, debatida com equipes e familiares. Após a bênção da mãe, Maria, e dos irmãos (Luiz Antônio, Regina Elena e Célia Maria), o plano foi executado - no ano passado, a fazenda alcançou picos de 96 mil quilos por dia.

O aumento de volumes ocorre em boa hora, já que o Laticínio Xandô está ampliando as linhas de produtos - o queijo minas frescal de leite tipo A, por exemplo, chegou ao mercado no segundo semestre de 2020.

E ampliar a produção é uma forma de lidar com o impacto da alta dos custos fixos, diz o empresário, realidade que têm tirado o sono de muitos produtores de leite. Embora muito comemorado, o novo pico de produção diária não é sempre igual, explica. Mas isso acaba puxando os volumes médios da propriedade, que segue no topo do ranking dos 100 maiores produtores do país da Milkpoint Mercado.

Os resultados recorde da Colorado têm como origem uma longa trajetória de investimentos. Um dos focos foi o sistema de ventilação do barracão onde ficam os animais - o “cross ventilation”. A técnica americana foi instalada na fazenda em 2012, e a propriedade foi a primeira no Brasil a utilizar o método em rebanho de vacas, diz Pasetti de Souza.

A região de Araras, onde fica a fazenda, é muito quente, e o equipamento permite que a temperatura ambiente fique em torno dos 22 graus. Desse modo, os animais não se estressam com o calor - o termômetro chega a acusar 40 graus fora da estrutura. Com altas temperaturas, moscas e outros incômodos, o organismo dos animais gasta mais energia, o que afeta sua produtividade, explica Sérgio Soriano, veterinário da fazenda.

Tornar o ambiente mais agradável tambem inclui observar o manejo de cada vaca, priorizando, entre outros cuidados, cochos e bebedores limpos e camas adequadas. Outra parte importante para o sistema produtivo é a limpeza no caminho para a enorme ordenhadeira em forma de carrossel.

Trazido dos EUA há alguns anos, o equipamento permite a ordenha de pouco mais de 70 vacas por vez em cerca de 15 minutos. Só no sistema de ventilação e no carrossel (e local de sua instalação) foram investidos cerca de R$ 70 milhões - recursos, na época, obtidos do BNDES.

Da ordenhadeira, o leite é canalizado para o laticínio, onde é pasteurizado, homogeneizado e envasado para ser vendido como bebida do tipo A. Havia espaço para ordenhar mais animais por vez sem estressá-los no processo, e esse foi um dos passos mais recentes para contribuir com o alcance da nova meta.

Manter a dieta dos animais também ajudou. Para isso, foi construído um o rancho de alimentação para estocar itens que sofrem com sazonalidade, como caroço de algodão e polpa de laranja. “É uma saída que contribui para dar suporte à alimentação mais estável e, consequentemente, à performance das vacas e à manutenção do sabor do leite”, explica Soriano. Entre os aportes recentes, que incluem a construção de outra estrutura para destinar os animais para venda, a conta chega a pouco mais de R$ 4 milhões (recursos próprios).

Com a melhora do bem-estar e os sucessivos recordes de volume, em um mercado consumidor cada vez mais preocupado com métodos responsáveis de produção, os donos da Colorado decidiram que era hora de colocar o negócio à prova. Em 2021, a fazenda precisou fazer poucas adequações para obter o certificado do Programa Bem-Estar Animal Nutron concedido pela auditoria americana QIMA/WQS, que atesta elevados padrões de bem-estar do rebanho.