mai 18 2020

Políticas públicas e os cuidados com a sanidade agropecuária, por Karla Camargo


Por Karla Camargo, diretora da área de Relações Governamentais da Boehringer Ingelheim Saúde Animal

Em todos os países, há setores da economia que se destacam e ganham relevância na balança comercial, seja por vocação em função das condições naturais ou por um direcionamento estratégico dos investimentos em prol de um segmento. No Brasil, é fato que o agronegócio é uma das nossas estrelas. Para mensurar a sua importância, dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola de Agricultura Luiz e Queiroz, da Universidade São Paulo (CEPEA-Esalq/USP), indicam que, no ano passado, o setor foi responsável por 21,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Adicionalmente ao desempenho histórico positivo, o segmento vem mostrando a sua relevância (e resiliência) no atual momento da pandemia de Covid-19. Como a produção de alimentos é uma das atividades essenciais, o campo vem respondendo muito bem e garantindo a nutrição para milhões de pessoas aqui e em vários países do mundo. Não é por acaso que quem participa desse movimento tem tanto orgulho em dizer: “O agro não para!”.

A força do setor é resultado de décadas de trabalho árduo, desenvolvimento tecnológico e união das várias cadeias produtivas. Mas, para isso, outro ponto fundamental que favoreceu o segmento foi a definição de políticas públicas que estimulou a produção rural. Na produção animal, esse é um ponto essencial, inclusive, para promover a sanidade do rebanho das várias espécies e melhorar os negócios nos mercados doméstico e externo, gerando empregos e divisas ao País.

Na pecuária de corte e leite, por exemplo, os direcionamentos do governo em torno da vacinação contra a febre aftosa têm um grande peso no processo de conquista de status diferenciado na Organização Internacional de Saúde Animal (OIE). Medidas como essa trazem credibilidade ao segmento e ao país, além de gerar confiança aos consumidores de que todas as partes da cadeia estão unidas e desempenham os seus papeis para fornecer alimentos seguros e nutritivos às pessoas.

Outro desafio do agronegócio atualmente é o cenário de incertezas devido à Peste Suína Africana (PSA), que vem dizimando o rebanho suíno na Ásia e Leste Europeu. É uma enfermidade devastadora que não deixa alternativa aos produtores além do abate do animal e que nos traz um alerta acerca da importância da saúde animal e da necessidade de termos políticas públicas definidas para evitar a chegada de surtos semelhantes em nosso território. Isso nos chama a atenção de que é preciso proteger a saúde e o bem-estar dos amimais, a atividade nas fazendas e granjas, a receita e o emprego do homem do campo e a indústria.

Nesse contexto, é válido levar em consideração que os custos com o manejo sanitário são relativamente baixos, de apenas cerca de 4% do total dos custos produtivos, porém, um problema dessa ordem pode gerar prejuízos altíssimos para a propriedade e para o país.

É aí que entra a relação de responsabilidade entre o público e o privado, indicando a competência de cada um. Aos governos, cabe definir as regras e fazer o controle para que todas as soluções disponíveis no mercado sejam benéficas para produtores, animais e pessoas. Às empresas, cabe desenvolver soluções para a agropecuária brasileira atendendo todas as exigências e regulamentos necessários para que o alimento seja disponibilizado com toda a segurança.

É desta forma, prevenindo e evitando doenças, com o devido manejo e controle sanitário, seguindo padrões estabelecidos por organizações como OIE, legislações internacionais e brasileiras, e com foco no bem-estar dos animais, que manteremos a cadeia de produção de proteína animal forte, contribuindo para a segurança alimentar.

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