mar 13 2020

Coronavírus, boi gordo e mercado futuro


Apesar da oferta de boiadas ainda comedida, mesmo em um mês tipicamente de maior volume de fêmeas destinadas ao abate, a demanda patinando mantém o mercado com os preços andando de lado.

Na média das 32 praças pesquisadas pela Scot Consultoria, o preço da arroba do boi gordo subiu 0,1% nos últimos sete dias, ou seja, praticamente estável.

Com o mercado brigado, entre oferta limitada e demanda amena, as atenções se voltam para o coronavírus e os seus reflexos.

Após a declaração da Organização Mundial de Saúde (OMS), de que o coronavírus se tornou uma pandemia e da suspensão de voos da Europa para os EUA, a bolsa de mercadorias abriu em forte queda nesta quinta-feira, o que, até a escrita desta análise 13h00, acumulava desvalorização de 16,4%.

Além disso, o dólar chegou a ultrapassar os R$5,00 pela primeira vez.

Apesar do alarme e da turbulência, o mercado físico do boi gordo ainda não havia sentido os impactos do coronavírus.

Entretanto, no mercado futuro houve desvalorização. Os contratos futuros para outubro e novembro de 2020, por exemplo, tiveram retração de 3,1% na última semana.

Para o curto prazo, a expectativa é de consumo menor, típico de segunda quinzena, contudo a oferta limitada de boiadas deve limitar a pressão de baixa. Porém, atenção ao surto de coronavírus, o que, a depender do rumo, pode impactar no mercado do boi.

Felippe Reis / Scot Consultoria