set 4 2019

China deve liberar frigoríficos em outubro


A China poderá habilitar 34 novos frigoríficos brasileiros para exportar carnes a seu mercado no fim de outubro, durante visita do presidente Jair Bolsonaro a Pequim, apurou o Valor. O país asiático já é o principal destino dos embarques brasileiros de carnes - junto com Hong Kong, absorve mais de 40% das vendas.

Hoje, 64 estabelecimentos brasileiros podem vender carnes ao mercado chinês, onde faturaram US$ 2,5 bilhões em 2018. Com a ampliação do número de unidades, o potencial de crescimento dos negócios chega a US$ 1 bilhão por ano, conforme fontes do segmento.

No ano passado, o Ministério da Agricultura pediu à China a habilitação de 78 novos frigoríficos. A China enviou ao Brasil uma missão sanitária que auditou 11 plantas, com resultados negativos. A demanda brasileira caiu para 34 unidades, consideradas as que têm mais chances de serem habilitadas por Pequim.

Em meados do ano, a ministra Teresa Cristina esteve na capital chinesa e voltou otimista. No mês
passado, o secretário-executivo do ministério, Marcos Montes, chegou a anunciar que Pequim
poderia habilitar novas plantas brasileiras em uma semana.

A declaração de Montes foi encarada pelos chineses como pressão e causou irritação. Daí Teresa
Cristina ter sido "aconselhada" por Pequim a não fazer uma visita à China que estava prevista
para agosto. A alegação foi que as autoridades chinesas não poderiam recebê-la por problema de
agenda.

Agora, a expectativa "realista" é que nas próximas semanas seja concluído o processo de
habilitação dos 34 frigoríficos de carne bovina, suína e de frango - um é de carne de jumento. Mas
há riscos, já que os chineses costumam colocar uma exigência a mais depois de resolvida a
anterior.

De qualquer forma, o contexto é favorável a países como o Brasil. Em primeiro lugar porque a
China precisa de carne, por causa da epidemia de peste suína africana que está reduzindo seu
plantel de porcos em um terço.

Em segundo lugar, porque Pequim barrou a carne suína do Canadá após identificar um
carregamento com ractopamina, substância que estimula o crescimento de massa muscular, em
vez de gordura. E também porque os Estados Unidos, grandes fornecedores de carnes para os
chineses, enfrentam tarifas adicionais em razão da guerra comercial com Pequim e seus produtos
estão mais caros.

Além disso, o governo chinês parece ter todo interesse político para que a visita de Bolsonaro a
Pequim seja um sucesso, até para contrabalançar um pouco a relação extremamente próxima do
presidente com Donald Trump.

Bolsonaro vai primeiro a Tóquio, para a cerimônia de proclamação do príncipe Naruhito como
imperador, no dia 22 de outubro. O presidente chegará a Pequim no dia 24, se encontrará com o
presidente Xi Jinping no dia 25 e partirá para a Arábia Saudita no dia 26, de acordo com os planos
no momento.

A habilitação de mais frigoríficos brasileiros deverá ser o anúncio mais relevante na visita. Mas
outros protocolos serão assinados. Um deles é na área sanitária, para facilitar a venda de melões
brasileiros para a China e de peras chinesas para o Brasil. Com informações do Valor.

Pecuária.com.br