ago 7 2019

Pasta sustenta que novas tecnologias trazem mais segurança


O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, José Guilherme Leal, afirmou ontem que o número de agrotóxicos registrados no Brasil e banidos pela União Europeia por risco toxicológico ou baixa eficiência é pequeno.

Segundo Leal, o que é mais comum são casos de defensivos usados no Brasil mas não na UE, por causa de características de clima, solo, pragas e tipos de culturas produzidas. "Ninguém fala, por exemplo, que proibimos aqui produtos que são usados pelos europeus", afirmou ele, que participou de café da manhã com jornalistas ontem no ministério. Um dos agrotóxicos liberados na UE e proibidos no Brasil é o fungicida spirotetramat.

O pesquisador Caio Carbonari, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), disse que há quatro casos mais recentes de produtos usados no Brasil e em dezenas de países, mas banidos na Europa. "É preciso, sim, acelerarmos os registros. A disponibilidade de mais tecnologias também traz segurança. Não interessa atrasar a chegada dessas tecnologias ao Brasil", destacou ele.

Carbonari ainda lembrou que os 32 ingredientes ativos de defensivos agrícolas que estão na fila de análise pelo governo, e que se referem a moléculas não registradas no Brasil, já são bastante usados no mundo - EUA, Canadá e Austrália usam 19, o Japão 17, a UE 16 e a Argentina, 15. Ele considera injusto o rótulo dado ao Brasil de maior consumidor de defensivos no mundo por causa do volume total, já que, por área plantada, o país ocupa a nona posição.

Entre os produtos recentemente registrados no Brasil que mais causam polêmica estão aqueles à base de sulfoxaflor, de uso restrito na Europa e considerado por ambientalistas um "exterminador" de abelhas. O inseticida é usado no combate a pragas que atacam frutas e grãos como soja e algodão.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o sulfoxaflor é registrado em 82 países, incluindo os EUA e mercados europeus, e deve seguir orientações do Ibama "para mitigação de risco para insetos polinizadores", como restrição de aplicação em períodos de floração das culturas, estabelecimento de dosagens máximas do produto e distâncias mínimas de aplicação.

"Do ponto de vista de saúde humana, [o sulfoxaflor] está entre os inseticidas 20% menos tóxicos hoje aprovados", informou o ministério em nota divulgada ontem.

A diretora de Qualidade Ambiental do Ibama, Carolina Fiorillo, também disse que o órgão vem buscando, em suas análises ambientais durante o processo de registro de agrotóxicos, indicar o uso do produto de forma mais adequada para evitar ou minimizar impacto às abelhas, fundamentais para a polinização E que, no momento, o Ibama está reavaliando quatro agrotóxicos, do ponto de vista da análise ambiental.

Valor Econômico