mar 18 2019

Grandes produtores de leite do país ampliaram oferta em 7%


A valorização dos preços do leite, ainda que em um cenário de custos elevados, estimulou o aumento da oferta entre os principais produtores do país em 2018. Entre os 100 maiores produtores brasileiros, o crescimento médio foi de 7,3%, para 19.238 litros por dia, conforme o levantamento anual "Top 100 MilkPoint".

O avanço foi inferior ao registrado em 2017, que chegou a 10,4%. Porém, superou com folga o incremento de 0,5% na produção brasileira de leite como um todo, que somou 24,45 bilhões de litros em 2018, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na semana passada.

Considerando apenas os dez maiores produtores, cuja média diária atingiu 50.220 litros, o aumento em relação a 2017 foi de 17,4%. "Eles não foram tão afetados por dificuldades [como as altas dos fretes dos fretes rodoviários e do milho, principalmente] já que receberam, em média, 30% mais pelo litro, o que permitiu investimentos", afirmou Marcelo Pereira de Carvalho, coordenador do levantamento.

Segundo ele, prova disso é a análise que esses produtores fizeram da rentabilidade obtida no ano passado: 39% avaliaram que ela foi melhor em 2018 que nos anos anteriores. Em 2017, esse percentual foi de 7%. No ano passado, o preço médio nacional do leite foi de R$ 1,2936, 6% superior à de 2017, segundo o Cepea/Esalq.

Há seis anos à frente do ranking, a Fazenda Colorado, de Araras (SP), dona da marca Xandô, manteve a posição de maior produtora do país, com média de 73.730 litros por dia em 2018.

A Agrindus, de Descalvado (SP), dona da marca Letti, permaneceu na terceira posição, com uma média de 54.415 litros por dia. "O ano passado foi mais desafiador que 2017, especialmente por causa dos custos de produção, que ficaram de 30% a 40% mais elevados", afirmou o diretor da Agrindus, Roberto Jank Jr. "Ainda assim, foi um ano de resultados positivos, especialmente com o lançamento de novos produtos", disse o empresário.

A média de custo de produção das propriedades que integram o ranking foi de R$ 1,25 por litro. Apenas 1% dos produtores tiveram custo de produção menor que R$ 0,90 por litro. Segundo cálculos conjuntos do Cepea e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), nos principais Estados produtores do país o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 7,56% em 2018.

A região Sudeste continuou a abrigar o maior número de fazendas leiteiras entre as maiores produtoras do país, com 54 propriedades. Mas foi o Paraná que apresentou a melhor produtividade por vaca, com 34,4 litros por dia, em média. A média geral aumentou 3,2% em 2018 ante 2017, para 27,9 litros por vaca por dia.

Neste ano, oito produtores estrearam ou retornaram ao ranking, cinco optaram por não participar e três caíram para o "grupo de acesso". "Nenhum liquidou plantel, o que mostra que os produtores continuaram a apostar na atividade", disse Carvalho.

Dentre os 100 maiores produtores brasileiros de leite, 90% pretendem ampliar a produção nos próximos três anos. "O início deste ano foi melhor. Existe uma esperança na retomada do crescimento e uma queda no custo de produção devido ao menor preço dos grãos", avaliou Jank. Em janeiro e fevereiro, os preços ao produtor subiram 26,5% em relação ao mesmo período de 2018. "Foi o melhor começo de ano dos últimos tempos", disse Carvalho.

Fonte: Valor