jan 1 2019

Ministério da Agricultura não está inchado, diz Tereza Cristina


Prestes a se tornar ministra da Agricultura, a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) disse nesta terça-feira que pediu ao presidente Jair Bolsonaro um prazo de 30 a 60 dias para promover mudanças na estrutura da pasta.

"Agora começa de verdade. A expectativa é grande e a gente não pode frustrar", disse a jornalistas no plenário da Câmara, alguns minutos antes da cerimônia de posse do presidente. "O ministério não está inchado. Então, nós pedimos um prazo de 30 a 60 dias para saber o que a gente vai continuar e o que vai cortar. Não dá para falar agora, sem sentar lá, o que a gente vai mexer."

Ela disse que vai tentar trazer o ministério "mais próximo da agricultura empresarial, porque essa agricultura se descolou do governo e foi embora". "Nós temos de trazer de volta essa modernização. E nós temos que trabalhar muito o pequeno produtor", afirmou.

Sobre os pequenos agricultores, ela afirmou que "nós vamos ter um olhar especial para eles, mas com um foco diferente". "Nós queremos que produza, nós não vamos dar cesta básica, nós vamos dar ferramentas para produzir: crédito, comercialização e mercado para que possam vender a qualidade dos produtos que vão poder produzir daqui para a frente", disse.

Ela afirmou ainda que o polêmico sistema de autofiscalização sanitária que ela propõe para algumas empresas deve começar pelo setor de bebidas e fertilizantes, e não pelos frigoríficos.

"Eu estou trabalhando com esses procedimentos, mas isso não é uma coisa que acontece da noite para o dia. Esse é um processo que nós vamos ter de implantar devagar, com muita responsabilidade, porque nós temos mercados lá fora que são diferentes", disse ela, ao ser questionada pelo Valor sobre o assunto. "Agora, nós temos certeza de que nós não temos pernas para atender o mercado todo que o Ministério da Agricultura tem para atender. A autogestão ou autocontrole, que é a ferramenta que a gente vem falando e que causou polêmica, é um processo que começa dentro do Ministério. A gente tem de dar condições para os funcionários do ministério fazerem esse autocontrole e ele é um aprendizado.

"Segundo ela, "provavelmente os frigoríficos não serão os primeiros, porque é o [ramo] mais complexo da cadeia. Mas nós temos o setor de bebidas, que já pode começar, temos o setor de fertilizantes. Nós temos vários setores que são menos sensíveis, que podemos fazer uma aprendizagem dentro e fora [do Ministério]. Cada um tendo a sua responsabilidade nesse sistema", disse. "Qual a melhor coisa que tem? É que cada um vai poder ser responsável pela qualidade do seu produto e o ministério vai fiscalizar, auditar e cobrar duro das indústrias esse controle, que cada um já tem e que, se não tiver, vai ter que implantar ou sair do mercado.

Fonte: Valor