jan 2 2019

Tereza Cristina toma posse no Ministério da Agricultura


Sob medida para os ouvidos do agronegócio. Assim foi o discurso de posse de Tereza Cristina no Ministério da Agricultura, que terminou há pouco em Brasília. Breve e genérica, a fala da deputada federal (DEM) licenciada deu eco a antigos mantras do setor, mas não avançou em soluções para antigos gargalos.

Numa tentativa de descontrair o ambiente e valorizar o time que montou para comandar a Pasta, a nova ministra começou elogiando sua equipe -- "o currículo dos meus secretários é melhor que o meu" -- e, não por acaso, lançou um agrado direto a Luiz Antônio Nabhan, apoiador de primeira hora do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro e um de seus principais conselheiros sobre o setor.

Também cotado para assumir o Ministério da Agricultura, Nabhan perdeu a corrida para Cristina mas não ficou de fora do primeiro escalão da Pasta. Assumiu o cargo de secretário de Assuntos Fundiários e, conforme Tereza, "terá um grande desafio na área de reforma agrária".

"A Secretaria de Assuntos Fundiários zelará pela segurança jurídica no campo (...) Estamos atentos à urgente demanda de titulação de terras da reforma agrária", afirmou a ministra logo depois de deixar claro que, em sua opinião, a agricultura empresarial e a familiar "são um mesmo negócio".

Ainda que tenha feito questão de elogiar seu antecessor -- "o ministro Blairo [Maggi] deixa um legado e nossa missão será fazer mais e melhor", Tereza Cristina reiterou que é preciso desburocratizar processos e defendeu o novo formato do ministério, com novas secretarias ocupadas por ruralistas de peso. Nabhan, por exemplo, conquistou os ouvidos de Bolsonaro com seus conselhos enquanto presidente da União Democrática Ruralista (UDR).

A ministra reforçou que as áreas de defesa agropecuária e de relações comerciais internacionais serão prioridades em sua gestão -- "o crescimento do nosso setor causa incômodo no mundo todo" --, lembrou à equipe econômica do novo governo que "é essencial que o crédito para produção e o seguro rural estejam disponíveis e sejam abundantes" e pregou a aceleração da modernização do setor, com "tecnologias de informação disponíveis no campo".

Depois da cerimônia de posse, Tereza Cristina confirmou a jornalistas que os processos de demarcação de terras indígenas passarão a ser de responsabilidade do Instituto Nacional de colonização e Reforma Agrária (Incra), que foi incorporado ao seu ministério e ficará sob o guarda-chuva do secretário Nabhan. E negou que a Fundação nacional do Índio (Funai) esteja sendo esvaziada no novo governo.

"A Funai não ficou com a Agricultura, só a parte fundiária veio para o Incra. É tudo muito novo. Temos uma conversa para fazer para que as demarcações sejam feitas através de um conselho interministerial, que estamos discutindo na Casa Civil", afirmou a ministra.

Fonte: Valor