dez 24 2018

Produção Sustentável de Bezerros une criadores em Mato Grosso


O tema bem-estar animal norteou as discussões da tarde do primeiro dia da 11ª edição da Interconf – Conferência Internacional de Pecuaristas -, evento promovido pela Assocon – Associação Nacional da Pecuária Intensiva -, em Goiânia, GO, em setembro.

O painel Regulatório – Desafios e Oportunidades foi palco do lançamento do Manual “Boas Práticas de Manejo – Confinamento”, desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (Grupo ETCO), da Unesp – Universidade Estadual Paulista – de Jaboticabal, SP.

O manual, que tem como objetivo apresentar recomendações de boas práticas de manejo, com potencial para minimizar o risco de falhas de adaptação dos bovinos ao confinamento e evitar situações que resultam em sofrimento, foi distribuído aos participantes do evento durante o painel.

Segundo os autores da publicação, as recomendações apresentadas no material têm como base os resultados de pesquisas e experiências práticas e vivenciadas em confinamentos comerciais brasileiros nos últimos dez anos, traçando estratégias de manejo que favorecem o processo de adaptação dos bovinos ao ambiente de confinamento, melhoram as condições do ambiente, com reflexos positivos na saúde e no desempenho dos animais, resultando em maior eficiência produtiva e melhores condições de vida para todos os envolvidos: humanos e animais.

“O bem-estar animal é um tema de grande importância para nós, tendo em vista que os consumidores e a sociedade têm cobrado da cadeia de produção uma postura mais responsável em relação aos animais. Temos desenvolvido diversas ações visando uma maior conscientização e informações para nossos fornecedores. O manual é uma dessas ferramentas, que pretende mostrar estratégias e técnicas que reforcem a importância dos cuidados com os animais, além de garantir eficiência produtiva e sustentável aos produtores”, explica Fábio Dias, diretor de Relacionamento com o Pecuarista da JBS, empresa que patrocinou o desenvolvimento do manual.

Além da distribuição do manual, o painel contou com três palestras dos autores do livreto e membros do grupo ETCO, que trataram de questões que envolvem o comportamento e o bem-estar animal.

Consciência

O Professor adjunto do Departamento de Zootecnia da Unesp de Jaboticabal, Mateus Paranhos da Costa, ministrou a palestra “Bem-estar animal e sustentabilidade – desafios e oportunidades para o pecuarista”. Em sua explanação, o professor Paranhos ressaltou uma evolução no setor, que passou a enxergar o tema com mais consciência e não apenas como uma forma de agregar valor à produção. “O pecuarista está mais comprometido. A intensificação tem desafiado a produção, por isso o setor precisa respeitar os limites naturais dos animais e se atentar aos sinais do mercado para continuar produzindo carne bovina de qualidade nos próximos anos”, destacou.

O painel ainda contou com a palestra da médica-veterinária e integrante do ETCO, Janaína da Silva Braga, que falou sobre “Monitoramento do bem-estar animal em confinamento: cada animal importa”. Fechando as palestras do painel o tema “Porque se preocupar com o bem-estar de bovinos em confinamento é um bom negócio” abordado pela zootecnista e também integrante do grupo ETCO, Fernanda Macitelli, que foi seguido pelo debate “Como está a produção brasileira de carne bovina frente ao tema bem-estar animal”, que contou com a presença dos três palestrantes.

A tecnologia na pecuária de corte

O segundo dia do evento foi dedicado à apresentação de inovações tecnológicas e à troca de experiências, por meio de estudos de caso de sucesso, que servem de inspiração para pecuaristas de todo o país.

Jesus Vizcarra Calderon, presidente do grupo mexicano Sukarne, uma empresa multinacional mexicana com sede em Culiacán, no México, e que atua no setor de proteína alimentícia apresentou o caso de sucesso da empresa. A Sukarne tem 47 anos de história, processou em 2016 1,5 milhão de animais em suas unidades (confinamentos e indústrias) e detém 70% das exportações mexicanas.

A “tecnologia de monitoramento animal na pecuária de corte” foi tema da palestra do pesquisador da Embrapa, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, que destacou como a adoção de tecnologias de precisão permite o monitoramento, e rastreamento de toda a cadeia, tornando o produtor mais eficiente na gestão, podendo se antecipar aos problemas de saúde de um animal, por exemplo. “Num grande confinamento, fazer um acompanhamento de cada animal, de forma individual em tempo real já é possível e viável. Sabemos que por meio da ruminação, o animal dá sinais se está com a saúde em dia ou não. Com o avanço das tecnologias de monitoramento, temos melhorado o bem-estar animal, disponibilizando informações precisas ao produtor para que ele possa cada vez mais tomar as decisões de forma assertiva”, ressaltou o pesquisador.

Outro tema de interesse debatido foi a produção de bovinos de corte em forragens conservadas, apresentado pelo pesquisador e professor da UFPR, Patrick Shmidt. Em sua palestra, o pesquisador apresentou dados de suas pesquisas, realizadas em trabalhos de campo e em algumas propriedades, enfatizando as possibilidades de aumentar a utilização de silagem nas dietas de gado de corte.

“Em minha palestra eu apresentei um contraponto com alguns ganhos, principalmente relacionados à mortalidade dos animais e a saúde deles, quando eu parto para a utilização de silagens de alta qualidade. O prejuízo que seria esperado no ganho de peso e no desempenho dos animais é muito pequeno, estamos falando de três a quatro dias a mais de confinamento, só que índices de mortalidade 10 vezes abaixo do que a média registrada na atividade”, destaca. “Podemos dizer que o retorno econômico indireto é muito grande. O animal perde um pouco de desempenho quando eu tiro o altíssimo grão e coloco uma silagem de boa qualidade, mas registramos ganho em saúde”, enfatiza Shmidt.

As tecnologias e inovações em nutrição de bovinos de corte confinados foram abordadas pelo gerente na categoria confinamento na DSM Produtos Nutricionais, Marcos Sampaio Baruselli. Segundo ele, o confinamento no Brasil vem se tecnificando em uma escala muito rápida e para atender essa demanda existem tecnologias na área de nutrição que estão acompanhando essa evolução. “Hoje temos enzimas para digerir o amido do milho, por exemplo, que estão sendo adicionada a ração do boi confinado. Com isso reduzimos a perda de milho nas fezes, melhorando assim a digestão e, consequentemente, o animal ganha mais peso e fica mais saudável”, explica Baruselli.

Em sua palestra, Baruselli destacou a importância de o produtor conhecer essas novas tecnologias e aplica-las em suas propriedades, buscando produzir mais com menos. “O Brasil tem expectativa de confinar cinco milhões de animais esse ano, ou seja, o confinamento no Brasil cresce de maneira acelerada, mostrando que a pecuária brasileira está se intensificando e buscando caminhos mais sustentáveis, aprendendo a produzir mais com menos, tanto no ponto de vista ambiental, como social e financeiro”, aponta.

Fonte: O Presente Rural