nov 22 2018

Estudo reforça competitividade da pecuária leiteira


Em contrapartida ao estigma da baixa remuneração da pecuária leiteira, análise realizada pelo Projeto Campo Futuro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq USP) mostra que a atividade pode ser competitiva em relação a outras, como pecuária de corte, cana de açúcar, soja e mandioca, e superar os valores oferecidos pelo arrendamento. A premissa para que esse cenário ocorra é que o produtor invista em gestão e em ganhos de produtividade, por meio de nutrição adequada e mão de obra qualificada, para atingir eficiência produtiva e econômica.

Em 2018, o Projeto Campo Futuro visitou 16 regiões nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Na maioria dessas localidades, foi relatado o abandono da atividade leiteira em função da baixa remuneração. Com base nesse cenário, a equipe de Custo de Produção do Cepea realizou uma análise comparativa de competitividade entre a pecuária de leite e outras atividades apontadas como possibilidade de arrendamento nas regiões visitadas pelo Projeto Campo Futuro.

Dentre as 16 propriedades típicas levantadas, 9 apresentaram margem bruta por hectare superior ao valor recebido pelo arrendamento mais comum da região, foram elas: Pompéu (MG), Uberlândia (MG), Cascavel (PR), Castro (PR), Chopinzinho (PR), Umuarama (PR), Cruz Alta (RS), Pelotas (RS) e Três de Maio (RS).

Analisando o estado de Minas Gerais, que registra grande heterogeneidade nos sistemas de produção, duas das cinco propriedades típicas se mostram competitivas, ou seja, a margem bruta por hectare superou o valor de arrendamento. Nestas propriedades, os diferenciais foram o uso de uma estratégia nutricional adequada, que atende às exigências do rebanho e permite a expressão do potencial produtivo dos animais, e a presença de mão de obra qualificada e especializada na atividade.

Os bons desempenhos produtivo e econômico das propriedades competitivas, por sua vez, se refletem nos indicadores de participação dos custos com alimentação do rebanho e mão de obra contratada (terceirizada ou com carteira assinada) em relação à receita da atividade. Esses dois itens representavam, respectivamente, 50,8% e 13,6% da receita. Tais valores convergem com os indicadores tidos como ideais para propriedades economicamente equilibradas: os custos com alimentação do rebanho equivalendo a 50% da receita e os com mão de obra, entre 10% e 15% da receita.

Quanto à eficiência produtiva, as regiões competitivas se destacam. Nesses locais, a produção de leite por lactação foi 31% maior em comparação aos números obtidos nas regiões não competitivas; a produção por hectare foi 92% superior e a produção por colaborador, 39% maior. Os números de produtividade evidenciam que a melhor eficiência produtiva torna as propriedades competitivas na medida em que permite diluição dos custos fixos da produção e retornos atrativos a investimentos na atividade.

Fonte: Portal DBO