nov 26 2018

ABC discute prioridades da bovinocultura de corte para 2019


O couro brasileiro vem sendo objeto de estudos por parte de um grupo de trabalho constituído na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com o objetivo de instituir um sistema de classificação e promover a melhoria de qualidade do produto. Entre os pré-requisitos estabelecidos para o futuro programa está o pagamento de bonificação aos pecuaristas que adotarem medidas de manejo do rebanho bovino que visem ao melhor trato e à redução de defeitos no couro dos animais vendidos para abate. Também está prevista uma remuneração aos frigoríficos que voluntariamente aderirem ao programa e adotarem sistema de rastreabilidade do couro e ações para a melhoria da qualidade do produto durante o abate dos animais.

Estima-se que, atualmente, cerca de 60% a 70% dos defeitos nos couros bovinos produzidos no Brasil tenham origem durante a criação dos animais nas fazendas. Os defeitos, em sua maioria, são resultado de marcas e cicatrizes causadas por parasitoses, como berne e carrapato, além de marcas a fogo aplicadas em local inapropriado e também os provenientes de ferimentos causados por cercas de arames farpados e práticas de manejo inadequadas.

O programa vem sendo gestado por um grupo de especialistas composto por representantes dos segmentos da produção rural, indústrias frigoríficas, curtumes, associações de criadores e Embrapa, a partir de uma proposta formulada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), após seminário para discutir os problemas na cadeia produtiva do couro, realizado no mês de agosto último. A previsão é de que o programa seja aprovado ainda no ano de 2018 e implementado a partir de 2019.


Antônio Pitangui de Salvo e Ricardo Nissen – Respectivamente, Presidente e Assessor Técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte

O Brasil é um dos maiores exportadores de couro do mundo e o produto é destaque na pauta de exportações do agro brasileiro, alcançando cifras superiores a US$ 2 bilhões anualmente. Contudo, o produto brasileiro vem perdendo competitividade no mercado internacional devido à baixa qualidade da matéria-prima. A formulação e instituição desse programa objetiva melhorar a qualidade do produto exportado e aumentar a renda na cadeia da bovinocultura de corte brasileira, em especial dos produtores rurais, que serão os grandes responsáveis pelo seu êxito.

O programa de melhoria da qualidade do couro é uma das ações que estão sendo planejadas para a bovinocultura de corte brasileira para o ano de 2019 pelas entidades que compõem a Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte, da qual a Associação Brasileira de Criadores (ABC) é membro permanente. O planejamento para o setor foi discutido durante reunião realizada na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no dia 22 de novembro último.

Além do programa de melhoria da qualidade do couro, está no plano de ações da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte um programa de promoção da imagem da carne bovina brasileira, com a realização de pesquisas para avaliar a percepção e as preferências dos consumidores, além de instituir um sistema digital de informações para consulta a respeito da sustentabilidade da produção de carne bovina no Brasil e das características e benefícios nutricionais do produto. A ideia inicial incorporada no trabalho é a construção de um grande banco de dados, com o apoio de entidades e profissionais ligados a nutrição, medicina, veterinária, agronomia e meio ambiente, entre ouras áreas, com dados científicos e respostas objetivas, que possa servir de referência para informação de consumidores e outros setores interessados. Além disso, também estão previstas ações de marketing da carne bovina brasileira no mercado interno.


Membros da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte

Outras ações previstas para 2019, por parte da Comissão Nacional, com vistas ao desenvolvimento da pecuária brasileira, são a aprovação e operacionalização de protocolos privados de classificação de carcaças e de rastreabilidade. Uma primeira versão do protocolo de classificação de carcaças, denominado Protocolo Tipificar, já foi apresentado ao MAPA, mas foi devolvido com sugestões de melhorias e aperfeiçoamentos. A previsão é de que ainda em 2018, na atual gestão do MAPA, uma nova versão seja apresentada e aprovada. Este protocolo fornecerá informações básicas quanto aos animais abatidos em frigoríficos com SIF (Serviço de Inspeção Federal), quanto ao sexo, peso, idade e acabamento das carcaças bovinas produzidas e servirá de base para a aprovação de rótulos com registro de atributos de qualidade da carne comercializada no País. O Protocolo Tipificar também será importante para que a cadeia produtiva se organize de forma a produzir uma carne de acordo com os gostos e preferências dos consumidores, representando mais um importante passo na melhoria da qualidade do produto.

Outro protocolo privado em vias de ser finalizado para aprovação do MAPA ainda neste ano de 2018 é o Protocolo de Rastreabilidade, que servirá para oferecer as garantias sanitárias que os países importadores da carne brasileira exigem quanto à origem do gado criado em áreas previamente aprovadas ou habilitadas. Ocorre que, embora o Brasil já seja considerado totalmente livre de febre aftosa, alguns mercados só compram carne bovina de estados ou regiões previamente habilitados e o Brasil precisa certificar que a carne que está sendo comercializada provém desses locais, como é o caso da União Europeia. Atualmente, todo o controle da origem dos animais é feito pelo serviço oficial do MAPA, mas, com a aprovação do protocolo privado, a certificação passará a ser feita pelo serviço oficial com base em informações geradas a partir de um protocolo privado que será fiscalizado e auditado pelo MAPA.

As perspectivas para 2019 também foram objeto de debates e discussões na Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte. O setor está otimista com os indicadores da economia para o próximo ano e com as medidas que poderão ser adotadas pelo próximo governo com vistas à redução dos entraves burocráticos e estímulo à atividade econômica. De olho na evolução da economia e nas potencialidades para o mercado pecuário, a Comissão Nacional também planeja ações relacionadas com o desenvolvimento de novos indicadores que reflitam de forma mais fiel o desempenho econômico da atividade, como um indicador nacional de preços. O setor também atuará firmemente no acompanhamento de ações legislativas com potencial de gerar impactos sobre a atividade pecuária.

Fonte: Paulo Mustefaga – Consultor da ABC