out 23 2018

Frigoríficos estão há quatro meses sem receber por exportação a Cuba


Os atrasos do governo de Cuba para pagar o Banco do Brasil em operações envolvendo exportações brasileiras de alimentos já duram quatro meses. Os pagamentos atrasados somam US$ 28 milhões, o equivalente a R$ 106 milhões.

Oito indústrias processadoras de carne de frango, ovos e derivados intensificaram as cobranças em Brasília e acionaram o ministro das Relações Exteriores, o chanceler Aloysio Nunes. No grupo dos que estão sem receber, há desde empresas de pequeno porte até gigantes como a BRF. Em meio ao impasse, as empresas ameaçam suspender os embarques para Cuba.

Em médio, o atraso nos pagamentos é de 90 dias, mas há empresas que estão há 120 dias sem receber, com passivos que variam de US$ 1,5 milhão a até US$ 8 milhões por companhia.

Essas transações fazem parte do programa Proex, do governo federal, que financia exportações de companhias brasileiras para diversos países. As vendas são feitas pelos exportadores brasileiros, que posteriormente teriam que receber por meio do Banco do Brasil. O BB funciona como repassador dos pagamentos feitos por importadores cubanos.

Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), explica que, nesse episódio específico, os importadores cubanos contratam o crédito e o governo de Cuba é quem entra como avalista da operação.

Porém, como a ilha não vem conseguindo garantir os pagamentos em razão dos impactos do furacão que atingiu a ilha em maio, o Tesouro Nacional é quem deveria bancar as pendências, segundo Turra.

“O Brasil está exigindo que Cuba pague e o problema já foi discutido até numa reunião recente da Camex [Câmara de Comércio exterior], mas o Ministério da Fazenda alega que não há orçamento para pagar”, afirma Turra.

“Neste momento, é importantíssimo que o fluxo de pagamentos se normalize, mas a continuar assim a solução será as empresas redirecionarem seus embarques para outros países”, acrescentou.

Tanto as empresas de alimentos como o governo brasileiro descartam por enquanto quadro de calote por Cuba (default). O atraso é considerado incomum, em Brasília, o governo não descarta que haja calote, apurou o Valor. Procurado, o BB não comentou.

Fonte: Valor