ago 14 2018

Tecnologia cortou empregos na agropecuária, mostra estudo da FGV


A agropecuária é um dos setores em que o emprego caiu de forma expressiva nos últimos anos, segundo o IBGE. Há a influência da conjuntura econômica e da oscilação das safras a cada ano, mas, de acordo com um estudo do Centro de Estudos do Agronegócio da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EESP-FGV), a forte incorporação de tecnologias pelo campo também pesou.

O trabalho mostra que, ao menos desde 2012, o agronegócio brasileiro tem gerado cada vez menos postos de trabalho, especialmente "dentro da porteira". No fim daquele ano, o setor gerava ocupação para 19,7 milhões de pessoas. Ao fim de 2017 esse número caiu para 18 milhões, contração de 8,4% no período, equivalente a uma redução média de 1,9% ao ano.

A fonte dos dados é a Pnad Contínua, do IBGE. Os números divergem do agregado "Agropecuária" da Pnad, pois envolvem trabalhadores da indústria e dos serviços ligados ao setor. Na Pnad, o emprego exclusivamente agro caiu 13% entre 2014 e 2018, de 9,768 milhões para 8,494 milhões de ocupados.

"A contração da população ocupada no setor foi resultado da incorporação de tecnologias mais intensivas em capital e poupadoras de mão de obra. Esse processo permitiu que o agronegócio tivesse expressivos aumentos de produtividade. Entre 2012 e 2017, enquanto a economia brasileira encolheu, em média, 0,1% ao ano, as atividades agropecuárias cresceram 3% ao ano", diz o estudo.

O trabalho aponta que a queda do número de postos de trabalho se deu, principalmente, nas atividades agrícolas, ou seja, dentro da porteira, onde o emprego caiu 5% ao ano no período.

Felippe Serigati, professor da EESP-FGV, que coordenou o estudo, dá o exemplo da produção de milho safrinha, que é plantado depois de a safra principal (de verão) ser colhida. "Essa produção deu um grande salto de tecnologia, da semente à colheita, e houve forte aumento de produção por hectare", diz.

Na agroindústria, a queda do emprego foi de 1,5% ao ano. No segmento de insumos, o recuo foi de 2,1%. Apenas os serviços agropecuários tiveram aumento, de 1,9% ao ano no emprego. Serigati observa que esse crescimento na prestação de serviços voltados ao agronegócio é outra evidência de profissionalização no setor. "Há um universo de técnicos agrícolas, técnicos em processos industriais, prestadores dos mais variados serviços que surgiram para suprir uma demanda crescente por tecnologia", diz.

O setor de serviços não voltados ao agronegócio também acabou absorvendo mão de obra. "Nas localidades onde o agronegócio é a atividade econômica principal, a expansão da renda aqueceu o setor de serviços, que, por sua, absorveu uma quantidade de mão de obra maior do que aquela liberada pelas atividades do universo agroindustrial", diz o texto.

Entre 2012 e 2017, enquanto a renda média do trabalhador brasileiro aumentou 4,6% ao ano, a do empregado do agronegócio cresceu 7%. O salário médio pago pelo setor, contudo, de R$ 1.406 em 2017, continuou sendo abaixa da média do restante da economia, de R$ 2.078 mensais.

Fonte: Valor Econômico