jul 23 2018

Frigoríficos de carne bovina têm melhora nos lucros


A valorização do dólar parece ter ajudado os frigoríficos de carne bovina no segundo trimestre deste ano. O setor que sofreu com a concorrência acirrada na compra dos animais para abate nos primeiros três meses está se recuperando. Com a alta da moeda, as empresas de médio porte, que dependem mais do mercado doméstico, também contaram com um inesperado e positivo efeito da paralisação dos caminhoneiros.

Devido à greve os preços do produto subiram e o consumo interno também teve que arcar com a alta no valor, tendo reflexo positivo na rentabilidade para os frigoríficos de carne bovina. Para o setor, o valor ficou menor, ou seja, alguns produtores ganharam nas duas pontas. “Compraram o gado mais barato e venderam a carne muito mais cara”, explica o analista da consultoria MB Agro, César Castro Alves.

O dólar favorável às exportações tem reflexos positivos no mercado interno, sobretudo para os frigoríficos de médio porte. “As três grandes empresas se voltaram para as exportações com muita força, o que dá um respiro no mercado interno. Também tivemos um fôlego de um mês pós-greve”, pontua um dos associados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Paulo Bellincanta, em alusão à JBS, Marfrig e Minerva.

O indicador de margem bruta levantado pela consultoria MB Agro mostrou a diferença entre a carne vendida no atacado e o preço do boi gordo, que em junho atingiu o melhor nível em praticamente um ano. Na exportação, que contou com a ajuda do dólar apreciado, a melhora é ainda mais substancial.

A diferença de preço entre a carne bovina exportada e a cotação do boi gordo no País, somente no primeiro trimestre, ficou em 4%, de acordo com Alves. Em abril, esse indicador alcançou 9% e, em maio, 24%. A melhora é um reflexo principalmente, da alta do dólar, de acordo com o analista. “Com carne e boi estável, o dólar ajudou muito”, afirma.

Já no segundo trimestre, a cotação do dólar teve uma apreciação de 11% na comparação com a média do período anterior, de R$ 3,24. “O dólar é o que está tornando o equilíbrio da indústria de carne bovina possível”, salienta o analista.

As previsões também são positivas para o próximo semestre. “A perspectiva é ótima”, afirma o presidente da Abiec, Antônio Camardelli, que também ressalta a possibilidade da reabertura do mercado americano de carne bovina in natura e a abertura da Indonésia ainda neste ano.

Fonte: Valor Econômico e Iepec, adaptado pela equipe feed&food