jul 25 2018

Faturamento das 20 maiores de lácteos do mundo cresceu 7,2% em 2017


O último levantamento “Global Dairy Top 20”, divulgado hoje pelo banco holandês Rabobank, destaca o aumento de 7,2% no faturamento combinado em dólar das 20 maiores empresas de lácteos do mundo no ano passado e a mudança no segundo lugar da lista, agora ocupado pela francesa Lactalis. Destaca ainda o incremento das operações de fusões e aquisições no setor em 2017.

O primeiro lugar no ranking do Rabobank segue com a suíça Nestlé, que teve receita de US$ 24,2 bilhões em 2017. A empresa agora é seguida pela Lactalis, que faturou US$ 19,9 bilhões, tomando o lugar da também francesa Danone, que fechou o ano passado com receita de US$ 17,6 bilhões.



O levantamento ressalta que a apesar de a Nestlé seguir reinando no ranking, a diferença entre ela e a número dois se estreitou. A Lactalis subiu para o segundo lugar impulsionada pelas aquisições dos negócios de iogurte das americanas Stonyfield e da Siggi. Já a Danone perdeu a posição depois de desinvestir na Stonyfield após a compra da fabricante de alimentos orgânicos WhiteWave, reduzir sua fatia na Yakult e vender participação na Al Safi Danone, joint venture na Arábia Saudita. Além disso, na Índia, a Danone decidiu focar em produtos de nutrição e vendeu sua fábrica de lácteos para um player local.

A cooperativa Fonterra, da Nova Zelândia, subiu para o quinto lugar no ranking, ligeiramente à frente da holandesa FrieslandCampina, que caiu para a sexta colocação. A escandinava Arla Foods permaneceu em sétimo, apesar da aquisição da joint venture com a SanCor e da nova sociedade com a Indofood.

De acordo com levantamento, a recuperação dos preços dos lácteos em 2017 afetou positivamente o resultado combinado das 20 maiores. E as operações de fusões a aquisições no setor cresceram no ano passado estimuladas pela disponibilidade de capital barato.

Contudo, destaca o banco, diferentemente de outros segmentos de alimentos e agribusiness, os “meganegócios” que ocorreram – Danone/WhiteWave e Saputo/Murray Goulburn – tiveram impacto limitado no ranking do Global Dairy Top 20.

Assim, diz o relatório, não há novos entrantes na lista das 20 maiores pelo segundo ano consecutivo, com o limite de US$ 5 bilhões aparentemente difícil de romper.

Houve 127 negócios de fusões e aquisições no setor de lácteos no mundo em 2017, conforme o levantamento, ante 81 transações em 2016. Até a metade deste ano, segundo o Rabobank, o número de negócios no segmento está em 62, com quase metade ocorrendo na Europa.

Em 2017, segundo o Rabobank, o valor das transações ficou abaixo do ano anterior devido ao menor número de grandes operações. Além disso, alguns dos maiores negócios no setor não incluíram empresa que fazem parte do Global Dairy Top 20, como a aquisição da brasileira Vigor Alimentos pela mexicana Lala. A aquisição da Itambé pela Lactalis, que está entre as maiores, está sub judice.

O banco prevê que nas próximas décadas o mercado global de lácteos vai crescer ao menos 30% em volume e valor, como resultado do crescimento populacional, do avanço da renda e a urbanização. A avaliação é que o crescimento orgânico e as aquisições vão direcionar o avanço. Mas há desafios para atingir esse número.

Para o Rabobank, companhias da China terão de abordar a integração de gestão de não chineses uma vez que consideram oportunidades de crescimento em lácteos ao redor do mundo. “A crescente colaboração entre companhias chinesas e não chinesas na China tem o potencial de criar um fluxo de talentos em gestão global. Ao mesmo tempo, há oportunidades para companhias não sediadas na China aumentarem sua presença e participação no mercado chinês e setor de lácteos”.

Dando como exemplo as transações feitas pela Danone em 2017, o Rabobank afirma que a era dos negócios “disruptivos” chegou ao setor de lácteos. Movimentos como a decisão da Danone de comprar a WhiteWave e o desenvolvimento de pesquisas em biotecnologia despertam o interesse por inovação, segundo o banco. A instituição holandesa vê um aumento na quantidade de transações de fusões e aquisições em negócios disruptivos, sejam elas defensivas ou oportunísticas.

Fonte: Valor