abr 4 2018

ABC participa das comemorações da semana Brasil Livre de Febre Aftosa




A primeira semana de abril foi marcada por eventos comemorativos pelo reconhecimento do Brasil como País livre de febre aftosa. Promovidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), os eventos contaram com a participação do Ministro Blairo Maggi, da equipe técnica responsável pela defesa sanitária animal, e de outras autoridades públicas e membros de organizações privadas representativas do setor agropecuário.

A homenagem ao Brasil Livre de Febre Aftosa antecede à Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que ocorrerá em Paris-França, no mês de maio próximo, quando o Brasil receberá a certificação internacional de País livre de Febre Aftosa com vacinação, concluindo uma etapa importante de um trabalho que vem sendo realizado há décadas pelo governo e pelo setor agropecuário brasileiro.

O primeiro caso de febre aftosa no Brasil ocorreu em 1895 e há mais de 5 décadas o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vem desenvolvendo e implementando programas de controle e combate à doença.

Mas foi a partir de 1992 que as estratégicas de erradicação da febre aftosa ganharam força no Brasil, com a implementação do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA). Medidas como a regionalização sanitária, por meio dos chamados “cirucuitos pecuários”; responsabilidade compartilhada entre governo federal, governos estaduais e iniciativa privada; participação efetiva da sociedade civil; e melhorias contínuas na qualidade da vacina contra a febre aftosa foram algumas das importantes estratégias adotadas pelo PNEFA que conduziram o País progressivamente ao estágio atual de erradicação da doença.

Com a certificação que será conferida pela OIE no mês de maio próximo, o Brasil será reconhecido internacionalmente como País livre de febre aftosa com vacinação, sendo que o Estado de Santa Catarina já é certificado como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2007.

O Plano Estratégico do PNEFA para o período 2017-2026 prevê ações que visam a assegurar as condições sustentáveis para que o País se mantenha livre da doença, bem como para a ampliação progressiva das zonas livres de febre aftosa sem vacinação, no período de 2019 a 2023. Os objetivos finais do programa são que todo o território brasileiro seja certificado como área livre de febre aftosa sem vacinação e que seja assegurada a manutenção sustentável desse status sanitário.

A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco bipartido, como bovinos, bubalinos, suínos e caprinos, entre outros, e leva à perda de mobilidade e a dificuldades de alimentação do rebanho, comprometendo a produtividade na produção de carne e de leite. Devido ao seu elevado potencial de contágio, o surgimento da doença normalmente tem como consequência imediata o fechamento de inúmeros mercados para os produtos pecuários, provocando significativos impactos econômicos ao país ou à região atingida.

A meta de tornar o Brasil um país livre de febre aftosa sem vacinação poderá representar, além da melhoria sanitária dos rebanhos, substanciais ganhos ao comércio dos produtos pecuários do País. Isso porque, embora o Brasil seja um dos maiores exportadores mundiais de carnes, diversos mercados ainda restringem as compras da carne brasileira por razões relacionadas à febre aftosa.
Países como Japão, Coreia do Sul, Canadá e México, responsáveis por cerca de um quarto das importações mundiais de carne bovina, só admitem comprar o produto de fornecedores que sejam certificados como livres de febre aftosa sem vacinação. A abertura desses mercados poderia representar ganhos adicionais de comércio entre US$ 1,5 bi a US$ 2 bilhões por ano ao Brasil. Em 2017, as exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 6,1 bilhões, com o embarque de 1,5 milhão de toneladas.

Os atos comemorativos da Semana Brasil Livre de Febre Aftosa ocorreram no período de 2 a 5 de abril e incluíram uma sessão solene no Senado Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal; inauguração do túnel do tempo no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com uma exposição de painéis relacionada com a febre aftosa no Brasil, em ordem cronológica, destacando todo o processo de erradicação até a certificação em 2018; uma solenidade de obliteração do selo alusivo à erradicação da aftosa no Brasil, pelos Correios; e uma visita técnica ao Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, referência internacional para Febre Aftosa e biossegurança máxima de diagnóstico da doença no Brasil.


Cerimônia de inauguração da exposição túnel do tempo sobre o processo de erradicação da febre aftosa no Brasil, ocorrida no dia no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no dia 3/4/2018. Da esquerda para a direita: Luis Rangel (Secretário de Defesa Agropecuária), Maurício Lopes (Presidente da EMBRAPA), Deputado Federal Alceu Moreira, Blairo Maggi (Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e João Martins (Presidente da CNA)


Ministro Blairo Maggi e Paulo Mustefaga, consultor da ABC