jun 10 2017

Bioeconomia: novidade conhecida


Entre as inúmeras inovações que vão chegando ao universo agropecuário, ganha crescente espaço o conceito da bioeconomia. Em termos muito genéricos, isso consiste em um novo paradigma de desenvolvimento baseado no uso dos recursos renováveis em substituição ao modelo de uso de combustíveis fósseis. Esse conceito ainda está em construção em nível planetário, incorporando outros temas como sustentabilidade, economia verde (onde entram os produtos orgânicos) e economia circular.

Nas condições brasileiras, a academia amplia e ao mesmo tempo detalha um pouco mais essa ideia geral: bioeconomia é o conjunto de atividades econômicas baseadas na utilização da biomassa (recursos biológicos renováveis) da terra e do mar, tais como cultivos em geral, floresta, pesca, animais e microrganismos, resíduos e desperdícios que podem ser transformados em alimentos, ração animal, materiais, produtos químicos, combustíveis e energia para produzir saúde, desenvolvimento sustentável, crescimento e bem-estar para a sociedade, incluindo ainda a adoção de boas práticas agronômicas que reduzam o uso de combustíveis fósseis no processo produtivo, contribuindo para a preservação dos recursos naturais e a redução de gases de efeito estufa. Essa definição brasileira meio exagerada abrange o que é o agronegócio em geral, de modo que já é nossa conhecida.

O Brasil pode ocupar posição privilegiada nesse novo mercado em construção, o da bioeconomia, graças à abundância de recursos naturais, à produção agropecuária e florestal competitiva e sustentável e a uma biotecnologia dinâmica no agro.

Em nosso país, a amplitude do conceito implica uma coordenação interinstitucional que não está pronta. Precisaremos de um marco regulatório sem muita burocracia, o que trará investimentos em ciência, tecnologia e inovação, via políticas de apoio ao desenvolvimento privado. E, naturalmente, cooperação internacional.
Quais os temas que se destacarão no Brasil?
>> biotecnologia - especialmente a aplicada à agropecuária, à agroindústria e à agroenergia;
>> biodiversidade - tendo em vista produtos terapêuticos, cosméticos e frutas tropicais;
>> intensificação agroecológica - com os programas de agricultura de baixo carbono (ABC), como integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens degradadas, reflorestamento e até plantio direto.

Mas a cooperação internacional é essencial para consolidar o projeto entre nós. E são muitas as áreas possíveis para essa cooperação, tais como:
produção de agroenergia (biomassa) e biofábricas;
>> biofármacos;
>> domesticação e transformação de recursos biodiversos em produtos de valor no mercado;
>> ampliação e modernização da infraestrutura de laboratórios;
>> adensamento da base científico-tecnológica com ênfase em projetos estratégicos;
>> disseminação da cultura da inovação tendo em vista sinergias evidentes;
>> estímulo ao empreendedorismo.

Tudo isso demanda uma base mínima de componentes, entre os quais podemos destacar:
>> formação de recursos humanos.
>> infraestrutura para P&D;
>> proteção à propriedade intelectual;
>> transferência de tecnologia;
>> estudos e investimentos na formação de mercados;
>> segurança jurídica.

Estamos precisando, portanto, de um Plano Nacional de Ação e Estratégia para a Bioeconomia, para colocar o Brasil no mapa global dessa nova estrela do agro. E nossas entidades de representação do setor devem se envolver num projeto dessa natureza ao lado do governo.
Eis um caminho novo para gente de cabeça aberta.

Fonte: Revista Globo Rural