nov 11 2018

Conciliação e ordem


Analistas políticos têm reiterado que, passado o período eleitoral, quando os debates entre candidatos nem sempre tiveram um bom nível em termos de apresentação e discussão de propostas de governo, é chegado o tempo de buscar o entendimento e o equilíbrio em torno do projeto que for melhor para todos os brasileiros. É chegado o tempo de exercer na plenitude a democracia de fato, e não aquela que serve apenas para os vencedores, aquela em que os vencidos não aceitam a derrota e a atribuem a fatores imaginários de toda ordem. A eleição acabou, o povo “falou” pelas urnas e eleitos e derrotados devem se entender para o bem do País.

Claro que a democracia pressupõe oposição, mas que esta seja construtiva e fiscalizadora, e não negativista e sistematicamente “do contra”, mesmo quando os interesses maiores da nação estejam em debate. O que ficou para trás deve ser deixado lá. Temas como o famoso “golpe do impeachment” foram atropelados pela vontade popular manifesta tanto nas eleições para cargos majoritários quanto para a Câmara dos Deputados, cuja renovação superou 52%, acima de qualquer expectativa dos entendidos em política. Ficou claro que a vontade popular é por mudanças tanto no Executivo quanto no Legislativo, numa coerência extraordinária em todos os rincões, dada a insatisfação generalizada com a situação vigente. E esta coerência se manifestou também onde a população está satisfeita com o que vem recebendo de seus governantes e os manteve. Isso é democracia.

Vamos então ao entendimento, mas com ordem, palavra central do anseio nacional, manifesto na bandeira verde-amarela. A segurança pública e a jurídica são demandas de todos os cidadãos de bem do País. Ordem, com respeito ao Estado de Direito.

No momento em que o futuro presidente escolhe sua equipe, há uma disputa por cargos que também faz parte do jogo democrático, desde que os interesses subalternos não triunfem: o poder jamais poderá ser disputado apenas “pelo poder em si”, mas como instrumento de servir à nação.

Nesse cenário, a agropecuária e o agronegócio brasileiros vivem um momento de muita confiança e esperança. Houve grande disputa pelo cargo de ministro da Agricultura, mas em um nível elevado. Nada de ambições ou vaidades, prevaleceu a vontade de acertar. Também houve uma discussão tranquila em torno da intenção do futuro presidente de unificar os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Felizmente prevaleceu o bom senso e a ideia foi abandonada: o que importa é a coordenação entre os diferentes ministérios e também de organismos afins (Ibama, Embrapa, Anvisa, ANA, entre outros) na definição dos rumos do governo todo.

Mas, na campanha eleitoral, o então candidato Jair Bolsonaro afirmou algumas vezes que escolheria um ministro da Agricultura afinado com o campo. Cumpriu sua promessa: será ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a deputada federal Tereza Cristina, de Mato Grosso do Sul. Conhece do assunto: é engenheira agrônoma, de modo que tem uma formação acadêmica compatível com o cargo, ninguém precisará lhe ensinar nada. Foi secretária estadual da Agricultura em um Estado agrícola, e assim conhece de gestão pública em sua área de atividade. Também aí não demanda aulas. E, sendo deputada federal, foi eleita presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, uma das maiores e mais ativas do Congresso, ambiente tradicionalmente masculino. Portanto, tem o respeito majoritário da bancada com a qual precisará contar no exercício de suas funções a partir de 1.º de janeiro.

Tereza Cristina, primeira mulher a compor o ministério do novo governo, é admirada e acatada pelas entidades do agro, sejam aquelas representativas de cadeias produtivas, sejam as generalistas como CNA, OCB, SRB e Abag. É, em suma, um ótimo momento para o agro, que também tem em Onix Lorenzoni, futuro ministro-chefe da Casa Civil, um egresso da FPA. E vale ressaltar que o vice-presidente eleito, general Mourão, tem feito pronunciamentos destacando a importância que o agro terá no novo governo. Nossa futura ministra vai se ombrear com outros brasileiros ilustres em um ministério de alto nível que vai sendo cuidadosamente montado.

Fonte: Roberto Rodrigues - O Estado de S. Paulo