dez 20 2016

Venda de carne 'in natura' para os Estados Unidos ainda é tímida


A exportação de carne "in natura" para os Estados Unidos, que somente neste ano foi liberada pelo Usda (Departamento Agricultura dos EUA), ainda não deslanchou.

A presença do Brasil no mercado norte-americano mostra, no entanto, que a cota de importação liberada pelos EUA está sendo preenchida em percentual maior do que foi no ano passado.

O Brasil não tem uma cota específica –divide com outros países o volume anual de 64,81 mil toneladas. Em 2015, os países pertencentes a esse grupo preencheram apenas 68% da cota total.

Neste ano, com a presença do Brasil, o percentual já atingiu 74% até o dia 12 deste mês, conforme dados do governo dos EUA.

Após a liberação de importação pelos norte-americanos, os brasileiros exportaram 556 toneladas de carne bovina (congelada, fresca ou refrigerada).

Em média, o valor da carne é de US$ 3.927 por tonelada. Alguns lotes (poucos), no entanto, chegaram a US$ 11,8 mil por tonelada.

Nesse total não se incluem as exportações brasileiras de carne industrializada.

Antônio Camardelli, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), acredita que o primeiro semestre de 2017 ainda será um período de exportação contida para os norte-americanos.

Na avaliação dele, os pecuaristas dos EUA colocarão um número maior de vacas para o abate, elevando a oferta de matéria-prima no mercado.

No segundo semestre, as exportações podem dar uma "esquentada", acredita ele. Camardelli diz também que o país tem chances de ir além da exportação de matéria-prima e ocupar ainda alguns nichos de carne "premium" no mercado norte-americano.

Segundo ele, o Brasil deverá ganhar parte dos consumidores dos EUA pelo paladar. Afinal, a carne brasileira, de gado criado em pastagens, é mais saborosa do que a norte-americana, proveniente de animais confinados.

O avanço da presença da carne brasileira nos Estados Unidos depende também de um conhecimento maior daquele mercado pelas indústrias brasileiras.

UNIÃO EUROPEIA

O Brasil está ampliando também as vendas de carne bovina de maior qualidade para a União Europeia.

Na safra 2010/11, o Brasil preencheu apenas 4,5% da chamada "cota Hilton", destinada aos europeus.

No período 2015/16, o país vendeu 93% do volume total dessa cota, que é composta por produto de maior qualidade e melhor preço.

Neste ano (2016/17), deverão ser preenchidos os 100% das 10 mil toneladas, acredita Camardelli. Nos primeiros meses do período, o país preencheu 53% do total, conforme dados da Abiec.

As exportações de carne bovina "in natura" deste mês devem ultrapassar as de novembro, superando 80 mil toneladas, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).